A idéia de feiúra  (COMO É BELA A FEIÚRA!) escrito em terça 27 maio 2008 19:10

Pablo Picasso,

Mulher que chora,

1937,

Londres, Tate Gallery  

 

 

   Ao longo dos séculos, filósofos e artistas sempre elaboraram definições do belo; graças a esses testemunhos é possível portanto, reconstruir uma história das idéias estéticas através dos tempos. já com o feio, foi diferente.

     Na maioria das vezes, o feio era defenido em oposição ao belo e quase ao se encontram tratados mais extensos consagrados ao tema, mas apenas menções parentéticas e marginais.   Então a história da feiúra terá de prcurar seus próprios documentos  nas representações visuais de coisas ou pessoas percebida de alguma forma "feias".

     Se um viajante vindo do espaço entrasse numa galeria de arte conteporânea e visse os rostos femininos pintados por Picasso, e ouvisse que os visitantes os consideram belos, poderia ter a impressão equivocada de que, na realidade cotidiana, os homens do nosso tempo consideram belas e desejáveis as criaturas femininas cujos rostos sao semelhantes àqueles representados pelo pintor. Contudo, o viajante espacial, teria sua opinião corrigida se visitasse um desfile de modas, nao aqueles em que as modelos parecem que passaram uma semana se alimentando de luz, e mais parecem uma criação de giacometti do que um ser humano, mas um concurso de miss por exemplo, nos quais veria celebrado outros modelos de beleza....

A referência do que seja belo e feio está antes de tudo, dentro de cada um... este belo que me refiro agora é subjetivo, não tão literal quanto a beleza atrativa ou a feiúra explícita das representações artísticas de picasso ou a magreza das esculturas de giacometti, mas idéia que se tem de belo referida no começo do texto quando os alienígenas chegam a galeria e ouvem visitantes dizerem que "mulher que chora" de picasso é lindo...

esta beleza acredito já está dentro de cada um enraizada, é o que nos diferencia em relação aos gostose preferências.

há quem ache a nona sinfonia de beethovem linda e há quem ache um saco, dá sono e por aí vai...

 

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HISTÓRIA DA FEIÚRA  (COMO É BELA A FEIÚRA!) escrito em terça 27 maio 2008 18:36

Aparentemente a beleza e a feiúra sao conceitos com compilações mútuas, e, em geral, entende-se a feiúra como o oposto da beleza, tanto que bastaria definir a primeira, para saber o que seria a outra. No entanto, as várias manifestações do feio através dos séculos sao mais ricas e imprevisíveis do que se pensa habitualmente.

indico este livro e farei uma série de artigos sobre a feiúra na arte!

bjos a todos!

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Os Segredos das Obras Primas da Pintura  (ANÁLISE DE OBRAS PRIMAS) escrito em terça 27 maio 2008 16:53

Este é um livro interessantíssimo.

Rose-Marie e Rainer Hagen nos colocam quastões à respeito de situações mostradas nas obras de arte mundialmente famosas.  Comentam modas e atitudes, e ainda desvendam segredos por trás das imagens...

 

Um exemplo é a intrigante análise de Mestre Renano: o pequeno jardim do paraíso, 1410.

(Eu escaniei a foto do livro, pois não achei em nenhum site)  

     O painel que mede 26,3 X 33,4 cm está no frankfurter staedel, foi feito por volta de 1410 e mostra um pequeno fragmento do mundo de então: um canto de jardim limitado pelas muralhas de um castelo.(...) o pintor povoou o jardim do castelo de personagens santas. A figura maior é Maria que usa a coroa celeste e lê livro de cabeça inclinada. Não está entronada no banco da relva, mas sentada à sua frente sobre almofadas, portanto a um nível inferior. Para os espectadores da é poca, a altura do assento tinha importância particular: Maria é a Rainha dos Céus, mas também é humilde e modesta:"Vede, eu sou a Serva do Senhor."

     As demais figuras santas, muito parecidas, distinguian-se umas das outras pelos objetos ou pela atividade. Santa Doroteia, por exemplo tem perto de si um cesto. Segundo a lenda, a caminhodo martírio foi -lhe pedido que enviasse flores e frutos do Paraíso. Antes da execução pôs-se a rezar e apareceu-lhe um rapaz que lhe entregou o dom divino:um cesto. agora no além, ela colhe as próprias cerejas.

     Cada santo tinha a sua lenda, Santa Bárbara que tira água da nascente, nao tem atributos tradicionais.  a torre e o cálice que para o pintor aparentemente, nao ficavam bem no jardim, mas quem conhecia a sua história sabia que as suas ossadas operavam milagres, enchiam de água os rios secos e acabava com os períodos de seca. Em redor do poço, a relva é pobre, alguns observadores realistas poderiam pensar que assim estava devido à quantidade de pessoas que ali iam para pegar água. Mas, para observadores crentes, de então a imagem evocava a lenda de secura que a santa rega com uma colher presa por uma corrente, tornando osolo fértil.

     A mulher que segura o psaltério do menino Jesus, um instrumento musical da idade média, deve ser Santa Catarina de Alexandria. Conta-se que Maria e Jesus lhe apareceram em sonhos, Jesus ter-lhe-a explicado que estava unido à ela pela fé e enquanto falava tocara em sua mão. Quando acordou percebeu que usava um anel. Segundo a concepção medieval , Santa Catarina era depois de Maria, a mulher mais próxima a Jesus. Os evangelhos são omissos ao assunto, mas quadros pintados por volta de 1300, mostram Jesus a tocar instrumentos de corda, comparando Jesus Cristo à uma doce música que alimanta a alma.

     Tal qual os instrumentos e ferramentas nas mãos das santas, nesta obra há muitos outros pormenores que significam coisas bem diferentes do que aparentam. Estes sinais e símbolos pertenciam à linguagem pictórica medieval.

     O próprio jardim era entendido como um símbolo e nao apenas como um local de reunião de santos. Evocava o paraíso, o jardim do Éden. O pintor, ilustra o caráter paradisíaco, representando todas as plantas em flor, quando na verdade nem todas as flores nascem na mesma altura do ano.

     Quando um canto paradisíaco tem uma muralha, então é um Hortus conclusus,um jardim fechado.A muralha nao pertence ao paraíso, mas certamente simboliza a virgindade de Maria. Esta imagem  refere-se principalmnte ao Cântico dos Cânticos de Salomão:"Minha irmã, querida esposa, tu és um jardim fechado..."

    As flores e rosas também são um hino a Maria. na boda direita, vê-se um uma flor, que é chamada em regiões germânicas de chave do céu, as violetas simbolizam a modéstia,os lírios brancos apureza de Maria e a rosa, o símbolo da virgindade de Maria.

 Como é que a humanidade manchada pelo pecado original e expulsa do paraíso pode gerar Maria pura de todo o pecado? esta questão atormentava os espíritos da época. O pintor do pequeno jardim faz alusão  ao problema através do toco de árvoe de onde brotam dois novos ramos. Isto significa que mesmo uma velha árvore pede gerar uma nova vida.

E para que todos entendessem que o toco de árvore simboliza a humanidade pecadora, o mestre renano pintou ao lado um diabo. de fato, nem o diabo , nem o dragão morto, nem a árvore cortada tem lugar no paraíso. mas esta reflexão lógica nao vem a propósito.

      Os três personagens são do sexo masculino, conforme a cor de seus rostos, mais escura que a das mulhers...

     A figura masculina que usa peneira e uma cota de arma é são jorge que liberta a princesa das garras do dragão, que aqui está representado com miudez sem magnitude alguma.O anjo de diadema e das belas asas é são Miguel que escorraçou o diabo para as profundezas, um deles está sentado serenamente a seus pés. no paraíso tanto o diabo quanto o dragão sao impotentes.

o sentido da terceira figura masculina passasse quase ignorado, a nao ser se procurar bem, vai encontrar um pássaro preto junto aos seus joelhos. preto é a cor da morte. alves toda a obra seja à memoria de um jovem defunto. o seu pequeno formato supoe que nao tivesse sido pintado para uma igreja, mas para uma morada. A árvore que o jovem abraça parece nascer lhe do coração, um símbolo da vida eterna.Mas também pode ser Santo Osvaldo: servia-lhe de mensageiro celeste um corvo que levara o braço direito do Santo quando este suncubira a combater os infiéis.

      Há pelo menos 10 espécies de pássaros , o que mostra o interesse botânico e científico nascendo na época. O que também contribui para a beleza do painel é a harmonia ainda existente da visão religiosa e da visão realista. Não se vinslumbra ainda a contradição entre os dois mundos, uma contradição que acompanhará os cristão do Ocidente até os nossos dias.

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PEDRA NAS COSTAS...  (FUI EU...) escrito em terça 27 maio 2008 02:57

Esse ai fiz algum tempo atras e só semana passada, pintei com aquarela.

tá ai... da uma olhadinha...

 

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DAVID LACHAPELLE  escrito em terça 27 maio 2008 02:28

Dá uma olhada no David LaChapelle... incrivelmente surreal!

 

     Nascido em 1963, LaChapelle tornou-se famoso por suas imagens de cores fortes e grandes doses de surrealismo, unindo de forma bem-humorada referências do barroco, pop e kitsch. Seu primeiro emprego como fotógrafo foi oferecido por Andy Warhol, em 1984, que então editava a revista "Interview"...

      É facil reconhecer o seu trabalho em qualquer parte. No seu trabalho, o absurdo e o exagero de cores, formas, pessoas e situações é constante. LaChapelle cria um mundo estático onde tudo tem brilho e tudo o que compõe a imagem está a posar para e a servir a foto, desde os próprios modelos até um acessório aparentemente sem importância como uma cadeira ou a sebe de um jardim. Tudo, até ao mais ínfimo pormenor é pensado num enquadramento de David LaChapelle.

     A temática de LaChapelle resume-se pois, a mostrar imagens inéditas ao nosso cérebro, imagens que, ainda que chegando a nós com referências de imagens anteriores, trazem uma frescura transportada pela habilidade de David LaChapelle de tornar a imperfeição de pessoas e objectos, perfeita.

Confira na página oficial: http://www.davidlachapelle.com/home.html

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