Este é um livro
interessantíssimo.
Rose-Marie e Rainer Hagen nos colocam
quastões à respeito de situações
mostradas nas obras de arte mundialmente famosas. Comentam
modas e atitudes, e ainda desvendam segredos por trás das
imagens...
Um exemplo é a intrigante análise
de Mestre Renano: o pequeno jardim do paraíso,
1410.
(Eu escaniei a foto do
livro, pois não achei em nenhum
site)
O painel que mede 26,3 X
33,4 cm está no frankfurter staedel, foi feito por volta de
1410 e mostra um pequeno fragmento do mundo de então: um
canto de jardim limitado pelas muralhas de um castelo.(...) o
pintor povoou o jardim do castelo de personagens santas. A
figura maior é Maria que usa a coroa celeste e lê
livro de cabeça inclinada. Não está entronada
no banco da relva, mas sentada à sua frente sobre almofadas,
portanto a um nível inferior. Para os espectadores da
é poca, a altura do assento tinha importância
particular: Maria é a Rainha dos Céus, mas
também é humilde e modesta:"Vede, eu sou a Serva do
Senhor."
As demais figuras
santas, muito parecidas, distinguian-se umas das outras pelos
objetos ou pela atividade. Santa Doroteia, por exemplo tem perto de
si um cesto. Segundo a lenda, a caminhodo martírio foi -lhe
pedido que enviasse flores e frutos do Paraíso. Antes da
execução pôs-se a rezar e apareceu-lhe um rapaz
que lhe entregou o dom divino:um cesto. agora no além, ela
colhe as próprias cerejas.
Cada santo tinha a sua
lenda, Santa Bárbara que tira água da nascente, nao
tem atributos tradicionais. a torre e o cálice que
para o pintor aparentemente, nao ficavam bem no jardim, mas quem
conhecia a sua história sabia que as suas ossadas operavam
milagres, enchiam de água os rios secos e acabava com os
períodos de seca. Em redor do poço, a relva é
pobre, alguns observadores realistas poderiam pensar que assim
estava devido à quantidade de pessoas que ali iam para
pegar água. Mas, para observadores crentes, de então
a imagem evocava a lenda de secura que a santa rega com uma colher
presa por uma corrente, tornando osolo fértil.
A mulher que segura o
psaltério do menino Jesus, um instrumento musical da idade
média, deve ser Santa Catarina de Alexandria. Conta-se que
Maria e Jesus lhe apareceram em sonhos, Jesus ter-lhe-a explicado
que estava unido à ela pela fé e enquanto falava
tocara em sua mão. Quando acordou percebeu que usava um
anel. Segundo a concepção medieval , Santa Catarina
era depois de Maria, a mulher mais próxima a Jesus. Os
evangelhos são omissos ao assunto, mas quadros pintados por
volta de 1300, mostram Jesus a tocar instrumentos de corda,
comparando Jesus Cristo à uma doce música que
alimanta a alma.
Tal qual os instrumentos
e ferramentas nas mãos das santas, nesta obra há
muitos outros pormenores que significam coisas bem diferentes do
que aparentam. Estes sinais e símbolos pertenciam à
linguagem pictórica medieval.
O próprio jardim
era entendido como um símbolo e nao apenas como um local de
reunião de santos. Evocava o paraíso, o jardim do
Éden. O pintor, ilustra o caráter paradisíaco,
representando todas as plantas em flor, quando na verdade nem todas
as flores nascem na mesma altura do ano.
Quando um canto
paradisíaco tem uma muralha, então é um
Hortus conclusus,um jardim fechado.A muralha nao pertence
ao paraíso, mas certamente simboliza a virgindade de Maria.
Esta imagem refere-se principalmnte ao Cântico dos
Cânticos de Salomão:"Minha irmã, querida
esposa, tu és um jardim fechado..."
As flores e rosas
também são um hino a Maria. na boda direita,
vê-se um uma flor, que é chamada em regiões
germânicas de chave do céu, as violetas simbolizam a
modéstia,os lírios brancos apureza de Maria e a rosa,
o símbolo da virgindade de Maria.
Como é que a humanidade manchada
pelo pecado original e expulsa do paraíso pode gerar Maria
pura de todo o pecado? esta questão atormentava os
espíritos da época. O pintor do pequeno jardim faz
alusão ao problema através do toco de
árvoe de onde brotam dois novos ramos. Isto significa que
mesmo uma velha árvore pede gerar uma nova vida.
E para que todos entendessem que o toco de
árvore simboliza a humanidade pecadora, o mestre renano
pintou ao lado um diabo. de fato, nem o diabo , nem o dragão
morto, nem a árvore cortada tem lugar no paraíso. mas
esta reflexão lógica nao vem a
propósito.
Os três
personagens são do sexo masculino, conforme a cor de seus
rostos, mais escura que a das mulhers...
A figura masculina que
usa peneira e uma cota de arma é são jorge que
liberta a princesa das garras do dragão, que aqui
está representado com miudez sem magnitude alguma.O anjo de
diadema e das belas asas é são Miguel que
escorraçou o diabo para as profundezas, um deles está
sentado serenamente a seus pés. no paraíso tanto o
diabo quanto o dragão sao impotentes.
o sentido da terceira figura masculina passasse
quase ignorado, a nao ser se procurar bem, vai encontrar um
pássaro preto junto aos seus joelhos. preto é a cor
da morte. alves toda a obra seja à memoria de um jovem
defunto. o seu pequeno formato supoe que nao tivesse sido
pintado para uma igreja, mas para uma morada. A árvore
que o jovem abraça parece nascer lhe do
coração, um símbolo da vida eterna.Mas
também pode ser Santo Osvaldo: servia-lhe de mensageiro
celeste um corvo que levara o braço direito do Santo quando
este suncubira a combater os infiéis.
Há pelo
menos 10 espécies de pássaros , o que mostra o
interesse botânico e científico nascendo na
época. O que também contribui para a beleza do painel
é a harmonia ainda existente da visão religiosa e da
visão realista. Não se vinslumbra ainda a
contradição entre os dois mundos, uma
contradição que acompanhará os cristão
do Ocidente até os nossos dias.