Em 1888, um assassino aterrorizou Londres. Matou
cinco prostitutas e retalhou seus corpos, retirando
vísceras, úteros, genitais e membros. Ele ficou
conhecido como Jack, o Estripador, e nunca foi apanhado. Ficou
tão famoso no mundo todo que até hoje se usa uma
piada inspirada nos seus crimes: "Como diria Jack, o Estripador,
vamos por partes..."
Dezenas de ingleses vitorianos
acabaram sendo acusado pelos crimes, entre eles um membro da
realeza, um barbeiro, um médico, uma mulher, e um artista
plástico e ex-ator Walter Sickert. Pintor de sucesso,
Sickert produziu, vinte anos depois dos assassinatos, uma
série de quadros chocantes que retratavam prostitutas nuas
mortas ao lado de clientes vestidos. Mas dessa vez, Patricia Cornwell, uma das mais bem sucedidas
escritoras de romance policial nao nos oferece uma
ficção e sim uma pesquisa em torno do que foi por
muitos anos um dos crimes mais misteriosos da
inglaterra.
Interessante foi desvendar os
segredos sombrios da mente do corpo e da arte de Sickert: um serial
killer em formação!
este livro eu li a primeira vez em
2003, o que me deslumbrou, porém fiquei um pouco assustada,
mas foi o ponta-pé inicial para eu escolher o curso que hj
estou quase terminando: Direito. 
A escritora utilizou DNA para provar
que Jack, o estripador, assassino que aterrorizou Londres em 1888,
foi um famoso pintor alemão, Walter
Sickert.
Patricia Cornwell, de 47 anos, "mãe" de uma
personagem detetive-legista, Kay Scarpetta, e criadora do Instituto
de Ciência e Medicina Forense da Virgínia (EUA),
resolveu investigar aquela série de crimes, 114 anos depois.
O resultado é um livro-bomba: Retrato de Um Assassino -
Jack O Estripador - Caso Encerrado
No livro, Patricia incrimina um
famoso pintor impressionista alemão, Walter Sickert, e
afirma categoricamente que ele foi o assassino. Suas principais
evidências:
1) um teste de DNA mitocondrial numa
carta enviada por Sickert continha o mesmo DNA das cartas que o
assassino enviava à polícia;
2) o assassino demonstrava
domínio de técnicas de pintura ao escrever cartas com
pincel, e uma vez traiu-se, usando o mesmo pseudônimo de
Sickert como ator, Mr. Nobody (Sr. Ninguém);
3) Walter Sickert desenhava no livro
de hóspedes na Pensão Lizard, onde vivia na
Cornualha, e os desenhos batem com os que Jack fazia em suas
cartas;
4) As iniciais que Sickert usava em
sua correspondência eram grafadas muitas vezes de forma
idêntica às de Jack.
ENTREVISTA:
A sra. sabe que arruinou a
reputação de um artista renomado, Walter Sickert.
Como a família dele reagiu?
Não tive problemas
jurídicos, mas a reação foi muito negativa. A
família se recusou a colaborar, impediu a
publicação de pinturas, retratos e cartas. De certa
forma, é compreensível. Ninguém gosta de ter
um parente, de um dia para o outro, apontado como um serial killer.
Mas eu não arruinei a reputação de Sickert.
Foi ele mesmo quem a arruinou, quando decidiu matar aquelas
mulheres. Eu não acusei ninguém, apenas demonstrei
que ele era o assassino.
Jack, o Estripador, é
hoje um personagem tão famoso quanto Drácula ou Dr.
Jekyll. Por que a sra. acha que ele exerce tanto fascínio
ainda hoje?
É verdade. Acontece que
Walter Sickert começou tentando ser um ator. Ele criou essa
abordagem teatral de maneira muito cuidadosa, por meio de cartas
escritas para jornais e para a polícia, e na forma de tratar
a cena do crime. Ele criou o mito como se criasse um personagem
teatral, operístico. Há também o fato de que
os crimes foram realmente chocantes, assassinatos bárbaros.
Jack se orgulhava dos seus crimes, demonstrava grande prazer e
excitação em cometê-los, e a opinião
pública pareceu entender isso.
O corpo de Walter Sickert foi
cremado. Como se poderia dizer com precisão que um teste de
DNA seria suficiente para incriminá-lo?
O teste de DNA foi apenas um dos
elementos usados para se chegar à conclusão.
Há diversas outras conexões e a principal delas
é a análise de datas, do material escrito, suas
pinturas, os testes grafológicos e também um sistema
de exclusão de possibilidades. Um pouco de cabelo de
alguém da família poderia ter ajudado, mas há
diversas maneiras de se chegar à conclusão. Se
não houvessem as cartas, eu acharia outra
maneira.
O ano-chave dos assassinatos
foi 1888. Por que naquele ano?
Jack continuou a matar. Essa gente
não pára. Muitas outras prostitutas foram mortas em
circunstâncias semelhantes naquela época, mas era um
tempo de muita pobreza e havia milhares delas. Muitas não
tinham famílias, ninguém as reclamava, ninguém
denunciava o seu desaparecimento. Eu pesquisei dezenas de
casos.
A sra. também se
debruçou sobre as pinturas de Jack. O que acha dele como
pintor?
Ele é um artista brilhante.
É muito respeitado por seus contemporâneos e pela
crítica. Mas eu jamais penduraria um quadro dele na minha
parede. Seu trabalho é sombrio, violento, mórbido.
Parte de sua atração é essa morbidez mas
não funciona comigo. Há um quadro dele extremamente
perturbador, que mostra um buraco negro numa parede. São
belas pinturas, mas perturbam.
O escritor inglês Alan
Moore escreveu Do Inferno, livro no qual defende a tese de que Jack
foi William Gull, o médico da família real. O que a
sra. achou dessa tese?
É apenas uma teoria, do tipo
conspiratória. Todas as versões são teorias,
porque nenhuma delas partiu de uma investigação
séria. Não havia evidências físicas. E
aquela história de ele (o médico William Gull) andar
por Whitechapel visto, haveria testemunhas. Era um homem velho,
tinha muitos numa carruagem, aquilo é extremamente
inverossímil. Teria sido afazeres como médico.
Não é crível. Sickert, além de tudo,
era um homem jovem, tinha 28 anos naquela época, e era um
nadador, fazia cultura física. Dominava as mulheres com
facilidade. Mas eu não fui atrás de teorias, fui
atrás de evidências. Jack escreveu cartas, a maioria
delas cheias de orgulho, descuidadas. Queria provar que tinha
matado, queria mostrar seus feitos.